« Home | Direito ao disparate » | "Dificuldade de governar1Todos os dias os ministro... » | ----- Original Message ----- From: .... To: ... » | "L'Alliance pour la Planète" lança o apelo que ser... » | Amizade é saber-te assim, de olhos grandes, ple... » | Quem te avisa ..... » | "A minha mãe morreu por um aborto clandestino, obv... » | Esta pérola que vos dou » | Eu, Catilina » | Quer sejas pequenino ou grande, jovem ou menos jo... » 

05 fevereiro 2007 





Ana, 14 anos, morta pela 'boa' lei


"A história passa-se no final de 2005. Uma adolescente de 14 anos entra no Hospital de Santa Maria com uma overdose de misoprostol, vulgo Citotec, o medicamento para o estômago liberalizado nos últimos cinco ou seis anos como método abortivo auto-induzido que resulta em inúmeras sobredosagens diagnosticadas nas urgências. Ana - chamemos-lhe Ana, é curto e serve - tomou 64 comprimidos. Remetida de um hospital de periferia, chega "já em choque" a Santa Maria, com "alterações vasculares importantes ao nível do tubo digestivo". Em bom português, a Ana está toda rebentada por dentro. A operação não a salva. Ana estava de 20 semanas. Mais dez que aquelas que a pergunta do referendo prevê e mais oito que as 12 previstas na lei em vigor para casos de "risco para saúde física ou psíquica da grávida". Talvez, se Ana tivesse tido a ideia e a coragem de, com ou sem os pais, ir a um hospital às dez semanas de gravidez, um médico compassivo lhe tivesse resolvido "o problema", considerando que a gravidez numa menina de 14 anos pode constituir um grave risco para a saúde. Nunca saberemos. O que se sabe é que a lei não abre excepções para meninas de 14 anos - mesmo se, aos 14 anos, nem sequer se é imputável criminalmente. O que se sabe é que a lei diz que toda a gravidez "normal" que não seja entendida como fruto de crime de violação deve ser levada a termo, com carácter de obrigatoriedade e sob ameaça de três anos de prisão. E que mesmo nos casos como o da Ana, cujo acto, pela idade da autora, estaria automaticamente despenalizado, a pena pode ser a morte. A morte por aborto, em 2005, por ausência de acesso a uma interrupção de gravidez médica e segura...."

Julio Machado Vaz


Assaz epifânico seu comentário. Teve uma atenção especial.

Um abraço.

E que dizer da menor que foi recentemente violada e engravidada pelo pai (pode chamar-se pai a uma criatura destas?), o que acontece? A jovem recorre ao aborto e corre risco de vida e de prisão (e o nosso «Primeiro» já afirmou que não vai alterar nada na lei se o «não» ganhar). Ao progenitor da jovem não acontece absolutamente nada, pode continuar a embebedar-se tranquilamente na tasca da esquina.
Em que país e em que século estamos? Acho que Portugal regressou à Idade Média! Não acho, tenho a certeza!!!

Obrigada por trazeres este caso ao nosso conhecimento e também por não desistires numa luta que é de todas nós.
Esperemos que no próximo dia 12 possamos todos acordar num país mais justo e evoluído porque, sabemo-lo,o que também está em causa é este tremendo atraso cultural que sempre nos tem mantido na cauda dos povos menos evoluídos.
Tenhamos a coragem de dar um passo em frente !
Quero que termine o aborto clandestino. Quero que as mulheres do meu país percam o medo. Quero que as mulheres tenham acesso aos cuidados de saúde quando tiverem que interromper uma gravidez. Que não corram perigo de vida. Que não tenham que morrer... como esta jovem em 2005... como a minha mãe nos anos 50... com 23 anos... e que mais nenhuma filha fique sem mãe aos 3 anos, como eu fiquei ...
E que acabe a hipocrisia!

Enviar um comentário