« Home | Francisco Canais Rocha » | Somos nós Somos a vida escrita n... » | Pensei-te gata Tocou-me tua ter... » | Dia de Natal Hoje é dia de era bo... » | Cartas ao Pai Natal » | Como dar a queca perfeita » | Faciamo le corna afinchè la crisi se ne vada prest... » | titas, a aculturada » | Para as elei@oes europeias, se eu estivesse em Por... » | A arte de bem escrever » 

25 abril 2010 

O 25 de Abril e eu


























O espírito revolucionário fervia-nos no sangue.
Agora o perigo da contra-revolução espreitava... Era preciso estar atento! Uma das minhas tarefas era fazer a ronda dos quartéis, pela calada da noite. Para não levantar suspeitas, passeávamos aos pares, como de namorados se tratasse.
Eramos 4; dois casais. O primeiro era formado pelo Dário(testemunha de Jeová, e com um ligeiro atraso, mas comunista, pois "se a doutora é comunista, eu também sou" e a Isabel, a minha querida amiga. O segundo, eu...novita e bonitona e o Ti Jacinto, o carpinteiro da empresa. Pequenino, com os seus 70 anos, 10 dos quais passados nas prisões políticas.


Estávamos a acabar a ronda, eram 3,30 da manhã, faltava-nos o último quartel. O sono e o cansaço amoleceu nosso sentido do dever. Ficámos as duas no carro e os homens lá foram fazer o giro. Passaram 15 minutos, preocupação; meia hora... pânico. Surgiram os dois, brancos como a cal. Titas arranca.... foge!

Quilómetros passados e fôlego retomado, contaram sua odisseia.
Contou o Dário (ah, é verdade, ele também era gago): Deu uma dor de barriga ao Ti'Jacinto. Atão eu disse-lhe: "Caga ali, ao fundo desta vereda. Enquanto eu esperava, apareceu um soldado, apontou-me a G3 e eu disse logo: Estou à espera do meu colega...que foi ali cagar". O soldado ordenou: "Onde? À minha frente, já!". Encontrámos o Ti'Jacinto (prosseguia o Dário) o soldado berrou: "Assassinos, onde está a bomba"? "A bomba? eu só vim cagar"gaguejou o Ti'Jaquim. "Bombistas, eu mato-vos!" e procurou a bomba com a mão. Encontrou-a. "Porra, que é mesmo merda! Mas que caralh***.... então você vem cagar à porta da messe dos oficiais?" e virando-se para o Dário: "Segure-me aqui na G3 enquanto eu vou lavar as mãos!".

Este comentário foi removido pelo autor.

A ternura e a beleza de um texto, quando existe, encontra-se seja qual for as circunstancias. Bolas, moça, continuas brilhante nos teus dizeres. Um beijo

Alexandre Bento de Sousa

Eu agradeço os comentários que me enviaram por mail. Percebi só agora que os "comments" não funcionavam.

jocas

Titas,
Este momento é verdadeiramente hilariante!!! eh eh eh...
Bjs.

Desse momento para cá, as cagadas repetem-se a um ritmo alucinante e há cada vez mais gente com as mãos na merda...
És como o vinho do Porto... onde é que eu já ouvi isto?
Beijo.

Enviar um comentário